sábado, 6 de dezembro de 2008

A televisão abordada sobre a perpectiva de documento histórico

A Televisão como Fonte de Pesquisa e Ensino


As fontes de documentos estão em constante mudança, antes os documentos eram apenas papéis e hoje já temos novas linguagens que também designam documentos, alguns formas que podemos utilizar é a internet e a televisão, neste momento iremos abordar a televisão como fonte de pesquisa nas aulas de história por exemplo.

É necessário antes de utilizar a televisão como fonte de pesquisa e ensino, que se tenha um conhecimento prévio sobre o que é o documento histórico, e saber que a abordagem dada a televisão, é diferente da abordagem dada ao documento escrito, mas ambos são eficientes no ensino de qualquer disciplina se dada a importância devida.

Porém, a televisão não é a resolução de todos os problemas da educação hoje no Brasil, tem-se também que tomar cuidado para que não se desvalorize os conteúdos da disciplina, com o intuito de modernizá-la, a história não é apenas o estudo de fatos ocorridos no passado, mas também de fatos do presente.

É necessário que de início o professor selecione o que vai utilizar, qual programa ou gênero televisivo, e os que ganham nas escolhas, são telejornal, teledramaturgia e telefilmes, que podem ter sido produzidos no passado ou no presente. Porém uma grande dificuldade é de como conseguir estes materiais, pois até hoje não temos um arquivo público de onde possamos retirar o material e depois devolver, apenas as redes de televisão os têm e na maioria das vezes o professor não tem acessibilidade.

Um item que tem que ficar claro na cabeça do professor é que no momento estamos nos referindo a utilização de telefilmes, ou seja, filmes produzidos apenas para a televisão, e não para os cinemas, pois os primeiros são feitos para serem consumidos no instante da sua reprodução, e os segundos, são produzidos para serem uma mercadoria cultural, que será reproduzida por muito tempo ainda.

Um autor que estudou a televisão como fonte de dados, foi Umberto Eco, este apresenta a seguinte a seguinte teoria, para que o professor interprete a televisão da forma correta, é necessário que ele, observe três pontos antes de escolher o que utilizar em suas aulas:

*Intenções do remetente – da mensagem;

*As estruturas comunicacionais – o meio e o código da mensagem;

*As reações do receptor – a situação sócio-histórica do público receptor (alunos) e seus repertórios culturais para a decodificação da mensagem consumida.

Diante do exposto propomos agora de acordo com Marcos Napolitano (2003), quatro etapas para se analisar algum gênero televisivo, neste caso ele o colocou para a analise do telejornal, mas afirma que também pode ser utilizado para outros programas também:

*Assistência do material: impressões primárias “espontâneas” do grupo, decupagem das matérias/notícias (divisão conforme as imagens e os temas se sucedem no documento), reconhecimento dos códigos básicos envolvidos (texto, imagem, som); reconhecimento do tipo telejornal (serviços, crônicas, informativo, etc)

*Análise semântica: o grupo deve buscar o sentido “explícito” e “implícito” das notícias em pauta; articulação do conteúdo de uma matéria/notícia com outras matérias/notícias veiculadas no mesmo telejornal; análise crítica das matérias/notícias: separar dado bruto/opinião ideológica/valores/representações simbólicas do conteúdo.

*Crítica ideológica: o grupo deve se posicionar sobre o conteúdo do documento e as artimanhas de sua “linguagem”; comparação com outros jornais (eletrônicos e impressos); pesquisa de conteúdo dos temas, buscando enriquecer as opiniões; explicitação dos conceitos veiculados; sistematização das contradições dos documentos e reflexão sobre as opiniões contratantes surgidas no grupo.

*Síntese das fases anteriores: sistematização dos valores e opiniões surgidos durante o trabalho; articulação com o conteúdo estudado no curso; sistematização das formas de recepção do documento televisivo ocorridas no trabalho em grupo.

Diante do exposto podemos concluir que a televisão é de grande utilidade se for oferecida por professores que estão dispostos a estudar toda esta dinâmica das “novas linguagens”, para não cometerem o erro de apenas colocar os alunos para assistir a um filme e no final fazer um questionário abordando o que foi tratado no mesmo.

Para fazer a conclusão final nos utilizaremos da fala de Marcos Napolitano em seu texto “A Televisão como documento”

Encarar o desafio de trabalhar criticamente com o documento televisual me parece mais produtivo do que o costumeiro exercício de retórica pseudocrítica, no qual alunos e professores falam mal da televisão, do sistema, da alienação durante as aulas e, ao chegar em seus lares, na solidão e no silêncio, se entregam à sua luz mágica e abismal. (p.161)

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